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Promoções em segurança pessoal contrariam versão de Bolsonaro sobre reunião com ministros


Ao longo deste ano, o presidente Jair Bolsonaro fez uma série de mudanças na sua segurança pessoal, inclusive com a promoção de responsáveis pela área, conforme revelou nessa sexta-feira (15) o Jornal Nacional, da TV Globo. Duas portarias e um decreto publicados no Diário Oficial da União colocam em xeque a versão apresentada pelo presidente de que as queixas expostas durante a reunião ministerial de 22 de abril se referiam a problemas com a equipe que cuida de sua segurança, e não a uma tentativa de interferência na Polícia Federal (PF).

"Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f... minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira", disse Bolsonaro na reunião, conforme transcrição encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Advocacia-Geral da União (AGU).

A reunião com o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro e outros auxiliares é uma peça-chave no inquérito que tramita no STF e apura se Bolsonaro tentou interferir politicamente na PF. A AGU, que defende o presidente no caso, é contra a divulgação da íntegra das discussões ocorridas no encontro. A decisão sobre o sigilo será tomada na próxima semana pelo ministro do STF Celso de Mello.

Segundo relatos de pessoas que assistiram ao vídeo, o presidente chamou a superintendência da PF no Rio de "segurança no Rio". Bolsonaro alega, por outro lado, que se referia à sua segurança pessoal, feita pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

No entanto, em 26 de março, quase um mês antes do encontro com ministros, o general André Laranja Sá Correa, então diretor do Departamento de Segurança Presidencial do GSI, foi promovido por Bolsonaro para o cargo de Comandante da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada.

A direção do Departamento de Segurança Presidencial ficou com o então adjunto, Gustavo Suarez, promovido ao cargo titular. Entre as atribuições do departamento estão "zelar pela segurança pessoal do presidente da República, do vice-presidente da República e de seus familiares".

Uma terceira troca envolvendo a segurança pessoal do presidente ocorreu no Rio. Uma portaria de 28 de fevereiro, dois meses antes da reunião, colocou o tenente-coronel Rodrigo Garcia Otto para exercer a função de chefe no escritório de representação no Rio de Janeiro da Secretaria de Segurança e Coordenação Presidencial do GSI. Essas três trocas mostram que o presidente não enfrentou problemas para fazer mudanças na área.

A reportagem procurou a assessoria da Presidência da República e o GSI, que ainda não se manifestaram.



Fonte: Agência Brasil

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