"Eu deduzia", diz Santana como "prova" a crime de Lula no caso Atibaia
Jornal GGN - "Eu deduzia que Lula sabia exatamente do
que estava se tratando", foi o testemunho de acusação do marqueteiro João
Santana, colhido pelo juiz Sérgio Moro, nesta segunda (05), para sustentar que
o ex-presidente recebeu propinas da Odebrecht, OAS e Schahin por meio de reformas
no sítio de Atibaia.
Após uma série de pressões da equipe da força-tarefa de
Curitiba, Santana fechou acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato,
no último ano, entregando aos investigadores informações de que Lula saberia ou
teria conhecimento de ilícitos, chaves para os procuradores conectarem o
ex-presidente à tese de que o petista seria o grande responsável por todo o
esquema de corrupção.
No mesmo caminho que tramitou a condenação no caso do triplex
do Guarujá, a equipe de Moro em Curitiba acelera os autos do processo
relacionado ao sítio no interior de São Paulo. Após o fracasso dos
investigadores por tentarem comprovar que o ex-presidente seria o verdadeiro
dono da propriedade em Atibaia, a exemplo do que ocorreu também no triplex no
litoral, as delações foram as alternativas que sobraram à Lava Jato para
segurar a teoria.
Assim, Santana afirmou em sua delação, no ano passado, que
Lula tinha conhecimento da existência de pagamentos em caixa dois pelos
serviços prestados pelo próprio publicitário na campanha à reeleição, em 2006.
Em outro extremo, para o Ministério Público Federal (MPF), Lula comandou a
formação de um esquema criminoso para o seu enriquecimento ilícito e para
"financiar caras campanhas eleitorais".
Provas? O marqueteiro João Santana disse que nunca conversou
com o ex-presidente sobre valores ou formas de pagamento de serviços da
campanha, que envolveram caixa dois. Confirmou aos investigadores, apenas, que
reclamou "duas ou três vezes" sobre atrasos nos pagamentos de seus serviços
como marqueteiro.
De reclamar o atraso, para que o ex-presidente Lula soubesse
dos ilícitos e comandasse um esquema criminoso, uma ponte construída pela Lava
Jato: "Eu deduzia que ele sabia exatamente do que estava se
tratando", disse João Santana.
"Primeiro, uma coisa genérica: eu não conheci nenhum
candidato que não soubesse dos detalhes da administração financeira da sua
campanha. Segundo: os pagamentos oficiais sempre tiveram margem pequena de
atraso. Sempre tinha atraso, mas não tanto. Então, quando se referia a atrasos,
atrasos inclusive que ficavam para depois da campanha, estava implícito que era
caixa 2", continuou na sua lógica, que era a mesma dos investigadores e
que, portanto, deveria ser a de Lula.
Além de Santana, a sua esposa e sócia, a marqueteira Mônica
Moura, e o ex-executivo da área internacional da Petrobras, Eduardo Musa, todos
delatores, também prestaram depoimentos como testemunhas de acusação nesta
segunda no caso de Atibaia contra o ex-presidente Lula.
Mônica Moura confirmou as informações de Santana: nunca
tratou de valores e de formas de pagamento do caixa dois com Lula, que estes
temas ficavam supostamente a cargo do ex-ministro Antonio Palocci e do
ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
A marqueteira apenas reiterou como ela mesma e seu marido
receberam dinheiro de caixa dois da Odebrecht no exterior como suposta parte do
pagamento de milhões por serviços prestados na campanha de Lula em 2006, não
declarados à Receita.

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