Segovia diz que PF deve pedir para arquivar inquérito de Temer
BRASÍLIA — O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando
Segovia, afirmou que não há indícios de que o decreto dos Portos sancionado
pelo presidente Michel Temer (PMDB) beneficiou a empresa Rodrimar e chegou a
sugerir que não houve crime no episódio. A declaração foi em entrevista à
agência de notícias "Reuters", publicada nesta sexta-feira.
— No final, a gente pode até concluir que não houve crime.
Porque ali, em tese, o que a gente tem visto, nos depoimentos, as pessoas têm
reiteradamente confirmado que não houve nenhum tipo de corrupção, não há
indícios realmente de qualquer tipo de recurso ou dinheiro envolvidos. Há
muitas conversas e poucas afirmações que levem realmente a que haja um crime —
disse.
O episódio envolvendo o Porto de Santos é a única
investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolve o
presidente da República, que nomeou Segóvia para o cargo no fim do ano passado.
Apesar da fala do diretor-geral, o inquérito é conduzido pelo delegado Cleyber
Malta Lopes, que tem total autonomia para conduzir a investigação. Em janeiro
ele encaminhou 50 perguntas ao presidente sobre o episódio.
A suspeita inicial da investigação é de que um decreto do
governo Temer foi feito sob medida para atender aos interesses de empresas do
setor portuário. O pedido de abertura de inquérito foi feito ainda pelo
ex-procurador-geral Rodrigo Janot.
POSSÍVEL PUNIÇÃO AO DELEGADO
Segovia afirmou à "Reuters" que é necessário se
aprofundar na investigação, buscar provas em todos os lugares porque “quando a
gente concluir a investigação e não houver realmente o fato a gente possa
afirmar, ‘olha não houve crime, não houve o fato’”. Ele estimou, porém, que a
investigação deve acabar rápido.
— Mas eu acredito que não dure muito mais tempo, não tem
muitas diligências mais a serem feitas. Acredito que em um curto espaço de
tempo deve ter a conclusão dessas investigações —disse.
É a segunda vez desde que assumiu o cargo em novembro do ano
passado que o diretor-geral da PF comenta sobre uma investigação envolvendo o
presidente. No passado, ele criticou o relatório da própria organização que
concluiu que o presidente recebeu propina da J&F, ao afirmar que talvez
"uma única mala" não fosse suficiente para confirmar o crime, em
referência à mala de dinheiro recebida pelo ex-assessor presidencial Rodrigo
Rocha Loures.
Segovia ainda disse que, caso haja um pedido da Presidência,
a PF pode abrir uma investigação interna para apurar a conduta do delegado
Cleyber Malta Lopes nos questionamentos apresentados ao presidente no decreto.
Ao responder as perguntas, Temer reclamou da "impertinência" dos
questionamentos, que teriam colocado em dúvida sua "honorabilidade e
dignidade pessoal.
— Ele pode ser repreendido, pode até ser suspenso dependendo
da conduta que ele tomou em relação ao presidente — disse o diretor-geral.
Fonte: O Globo

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