Ministério Público pede que Geddel seja condenado a sete anos de prisão
BRASÍLIA — O Ministério Público Federal em Brasília (MPF-DF)
pediu, nesta sexta-feira, que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) seja
condenado a sete anos de prisão. O MPF apresentou as alegações finais da ação
penal na qual ele é acusado de embaraço à investigação, por supostamente ter
tentado impedir que o operador Lúcio Funaro firmasse um acordo de delação
premiada.
Os procuradores da força-tarefa da Operação Greenfield
afirmam que ao ligar diversas vezes para Raquel Pitta, esposa de Funaro, Geddel
quis mostrar que estava monitorando Funaro, após ele ter sido preso. Em um
intervalo de apenas 19 dias, por exemplo, o ex-ministro ligou 17 vezes para Raquel.
"Dessa forma, era incutida em Lúcio Funaro a apreensão e
o temor por represálias, para que não colaborasse espontaneamente com as
investigações", afirma o texto.
O crime de obstrução de investigação dá pena de três a oito
anos de prisão. Ao pedir uma pena próxima da máxima, o MPF alegou que Geddel
ocupou o cargo de ministro durante parte dos eventos.
"O acusado, como ministro de Estado, praticou crime em
nome da cúpula política que atuava no próprio governo federal, traindo a
confiança do povo brasileiro e ofendendo, por consequência, os titulares do
poder soberano que devem ser respeitados no sistema democrático do país",
escreveram.
Na segunda-feira, em depoimento na ação penal, o político
negou que tenha tentando impedir a delação, e disse não se recordar exatamente
de quantos telefonemas foram feitos. O político afirmou que eram conversas
“humanitárias”:
— Era "como vai", "isso vai passar" —
contou o ex-ministro.
Funaro foi preso em julho de 2016, na Operação Sépsis, um
desdobramento da Lava-Jato. Foi nesse momento que monitoramento teria começado.
Na época, Geddel era ministro da Secretaria de Governo, cargo que ocupou até
novembro.
Em julho de 2017, quando já não era mais ministro, Geddel
chegou a ser preso preventivamente, após Funaro ter relatado os contatos dele
com sua esposa. No mesmo mês, ele foi solto por decisão do Tribunal Regional
Federal da 1ª Região (TRF-1), mas voltou a ser detido em setembro, após
investigadores encontrarem R$ 51 milhões em um apartamento que seria usado pelo
peemedebista.
Fonte: O Globo

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