Glitter do Carnaval prejudica a vida marinha e pode influenciar a saúde de humanos
Carnaval é tempo de brilho e o glitter é o principal
artifício para colorir o corpo dos foliões. Entretanto, no final da festa, o
glamour das partículas é lavado e elas vão para o esgoto. Como todo esgoto vai
parar no oceano, o glitter tem sido uma preocupação recorrente dos biólogos. Os
pequenos pedaços se juntam no mar e prejudicam tanto a vida no ambiente
aquático quanto a saúde de seres humanos.
Por seu tamanho, o glitter é classificado como microplástico.
Ele é facilmente ingerido por peixes devido ao diâmetro reduzido e, como não é
biodegradável, a partícula pode permanecer dentro do trato digestivo dos
animais por longos períodos de tempo. Além de peixes, o glitter pode
influenciar no plâncton, que é base de toda a cadeia alimentar marinha.
A oceanógrafa e mestra em ciências marinhas tropicais Cecília
Perdigão afirma que o microplástico vai sendo “repassado” aos animais maiores,
ao se alimentarem de menores. E, assim, o glitter e suas toxinas podem chegar
aos humanos quando ingerem peixes afetados. A poluição pode ser diminuída com o
uso de outros artifícios para dar brilho ao Carnaval.
Algumas empresas de maquiagem produzem um tipo de glitter
mais amigável para o meio ambiente, feitos de celulose e pó mineral, como a
Puro Bioglitter e a Brilhow Ecoglitter. Entretanto, como aponta Cecília, esses
produtos não suprem completamente a grande demanda do Carnaval.
“Então, não utilizar glitter caso não encontremos o
biodegradável é a melhor solução”, afirma a oceanógrafa. A especialista atenta
para o fato de que outras maquiagens com brilho e lantejoulas também podem
afetar o ecossistema, mas por serem menos descartáveis poluem menos também.
“Não podemos esquecer que as garrafas de plástico, muitas
vezes deixadas na rua, podem chegar aos oceanos e lá se fragmentam em pedaços
menores, também virando microplásticos”, explica Cecília, pedindo
responsabilidade na hora do descarte do lixo produzido na folia.
Cecília coordena um grupo de estudos sobre Resíduos Urbanos
no Instituto Verdeluz. O projeto visa abordar o problema da poluição marinha
por resíduos sólidos. São promovidas palestras, formações e atividades de
educação ambiental. Além disso, neste ano o grupo irá se reunir todos os meses
para uma coleta de resíduos na praia do Naútico, com o objetivo de entender
como o lixo vai parar naquela região.
Por Alexia Vieira

Nenhum comentário