Senado aprova projeto que reonera 28 setores da economia
O Senado aprovou nesta terça-feira (29) o projeto que reonera
a folha de pagamento de 28 setores da economia em 90 dias após sanção da lei.
Também foi aprovado na mesma proposta a isenção da cobrança do PIS/Cofins sobre
o óleo diesel até o fim do ano. O texto segue agora para sanção presidencial.
Os recursos com a reoneração deverão ser usados pelo governo
para compensar gastos da União com promessas feitas aos caminhoneiros para
encerrar a greve que já dura nove dias e causa desabastecimento em algumas
cidades brasileiras.
Com a reoneração, as empresas deixarão de pagar a
contribuição previdenciária baseada na receita bruta, o que era feito desde
2011, e passarão a pagar com base na folha de pagamento dos funcionários. Essa
mudança deve gerar receita de cerca de R$ 3 bilhões este ano.
A equipe econômica defendia a aprovação do projeto para
garantir recursos que pudessem zerar a Contribuição de Intervenção no Domínio
Econômico (Cide) cobrada sobre o diesel, conforme negociação com os
caminhoneiros.
Já a isenção dos outros tributos, como PIS/Cofins, incluída
na Câmara, não fazia parte do acordo, segundo o governo, que se comprometeu
apenas em reduzir, e não zerar, os dois tributos.
Emenda sobre o PIS/Cofins
Após aprovarem, de forma simbólica, o texto principal, os
senadores rejeitaram, por 51 a 14, o destaque apresentado pelo PT para,
justamente, retirar do projeto o artigo que isenta o PIS/Cofins. O líder do
governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR), defendeu a manutenção do texto,
alegando que a retirada significaria a volta do projeto para nova votação na
Câmara dos Deputados, atrasando a implantação das medidas negociadas com os
caminhoneiros.
“Essa emenda vai atrasar o processo de negociação e
diminuição do preço [do diesel]. Se nós tirarmos [esse artigo] aqui, que será vetado,
já explicitei isso, e voltarmos para a Câmara, vamos atrasar o processo. A
Câmara já disse que retornaria com a emenda, portanto o que iria para o
presidente seria o mesmo texto que está aqui, e lá o presidente vetaria
também”, argumentou.
Após negociar com o Palácio do Planalto, o presidente do
Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), anunciou, mais cedo, que o governo deve
vetar o trecho que isenta a cobrança de PIS/Cofins.
Negociada na semana passada pelo presidente da Câmara,
Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o relator Orlando Silva, a proposta de reoneração teve
que ser atualizada às pressas para que pudesse atender à demanda dos
caminhoneiros. Para isso, os deputados incluíram um artigo que zerava o
PIS/Cofins até o fim do ano cobrado sobre o óleo diesel. O problema foi o
impacto do fim dos tributos sobre as contas públicas. Após apresentar a
previsão de que o governo perderia R$ 3 bilhões até o fim do ano, o presidente
da Câmara corrigiu-se um dia depois, prevendo que a perda de arrecadação seria
de R$ 9 bilhões.
Entenda a reoneração
De acordo com o projeto, 28 setores continuarão sendo
beneficiados com a desoneração até o fim de 2020, quando também serão
reonerados. Ao apresentar o relatório na Câmara, Orlando Silva defendeu a
manutenção do benefício a setores que fazem uso intensivo de mão de obra e,
portanto, empregam mais.
Dessa forma, o benefício fiscal continuará, até 2020, para 22
ramos da economia, como empresas de maquinário, telemarketing, calçados e
tecnologia da informação, além dos seis setores sugeridos inicialmente pelo
governo: transporte rodoviário, ferroviário e metroviário, construção civil,
obras de infraestrutura e a área de jornalismo e radiodifusão.
A solução, porém, foi criticada no plenário do Senado.
Segundo Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o acordo acertado para a aprovação do
projeto retira dinheiro da seguridade social. “O que foi feito pela Câmara foi
uma reoneração meia boca, que caracteriza o nosso capitalismo de compadrio.
Aqueles setores próximos do poder recebem as vantagens, aqueles distantes não
têm nenhum tipo de favor. Isso está claro nos setores que foi mantida a
desoneração”, afirmou.
Discussões
Durante toda a tarde e o início da noite, os senadores se
revezaram na tribuna para debater o texto. Na opinião do líder do PT, senador
Humberto Costa (PE), a compensação financeira do governo só será garantida
mediante corte de despesas com programas sociais. Segundo ele, a emenda
constitucional que estipula o teto dos gastos prevê o congelamento do Orçamento
da União a ponto que as despesas de uma área sejam compensadas com cortes em
outra.
“Nós vamos votar favoravelmente à reoneração. Mas somos
contra essa solução para o subsídio de R$ 0,46. Primeiro, porque eu não imagino
que haja um único senador nessa Casa que confie no presidente para cumprir o
acordo. Não acredito que virá veto com apresentação de fontes que não venham a
prejudicar a população. Segundo, porque esses recursos ainda que não venham
diretamente do arrecadado pelo PIS/Cofins, virão de recursos orçamentários ou
serão resultados do contingenciamento, ou de ampliação do déficit fiscal”,
argumentou.
A líder do MDB, senadora Simone Tebet (MS), criticou as
tentativas de adiar a votação. “Concordemos ou não com o fim do PIS/Cofins. Ou
nós aprovamos esse projeto e confiamos que o governo, para cumprir o acordo e
fazer o país voltar à estabilidade, vai fazer as medidas necessárias, ou nós
estamos contribuindo para o caos”, disse. Apesar de defender a votação, ela
acrescentou que as causas da crise não serão estancadas somente com essa
medida.
Fonte: Agência Brasil

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