MPF cria comitê para apurar eventuais crimes relativos à paralisação
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, instituiu
hoje (25) um comitê no Ministério Público Federal (MPF) para acompanhamento do
acordo que encerra a paralisação de caminhoneiros e o bloqueio de rodovias em
todo o país. O foco é fiscalizar a prática de crimes federais que afetem
serviços públicos e de utilidade pública.
Caminhoneiros podem estar cometendo, entre outros, o crime de
expor a perigo o transporte público, diz a procuradora-geral da República,
Raquel Dodge (Valter Campanato/Agência Brasil)
Na decisão, Raquel Dodge destaca que os atos praticados pelos
manifestantes podem configurar quatro crimes federais, como expor a perigo ou
tenta impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial, aérea ou por qualquer
outro meio de transporte público.
A procuradora também menciona como eventuais crimes a prática
de atentar contra a segurança ou funcionamento de serviços de utilidade pública
como água e luz, além da desobediência a ordem legal de funcionário público.
Integram o comitê, os coordenadores da 2ª e da 3ª câmaras de
Coordenação e Revisão do MPF especializadas, respectivamente, em matéria
criminal e consumidor e ordem econômica; os procuradores-chefes das unidades de
primeira instância do MPF; e, ainda, dois dirigentes do Conselho Nacional de
Procuradores Gerais de Justiça (CNPG).
Desobediência à Justiça
Na portaria, Raquel Dodge cita o descumprimento de ordens
para a liberação de vias públicas federais que foram concedidas nos últimos
dias pela Justiça Federal nos estados de Sergipe, São Paulo, Paraná, Minas
Gerais, Rio Grande do Norte, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco, Paraíba,
Rondônia, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.
Em todo o país, estão sendo instaurados procedimentos para
apurar os crimes, bem como buscar a responsabilização dos envolvidos. Em Santos
(SP), por exemplo, o despacho para abertura da investigação cita os transtornos
e prejuízos causados pelo movimento grevista em razão do bloqueio das rodovias
de acesso ao Porto de Santos.
Na decisão, Raquel Dodge sugere por exemplo a apuração das
providências tomadas pelos administradores municipais, polícias Militar e
Federal, e pela administradora do porto diante da decisão judicial que
determinou a imediata liberação das vias.
No Rio Grande do Norte, houve despacho para apuração de
ilícitos criminais praticados contra os serviços públicos federais, eventual
prática de lockout - paralisação das atividades, por iniciativa do empregador,
com o objetivo de frustrar negociação ou dificultar o atendimento de
reivindicações dos respectivos empregados -, e desobediência a ordem judicial,
entre outros.
Também foi expedido ofício à Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) solicitando informações sobre a
fiscalização de eventuais práticas abusivas em função do desequilíbrio
ocasionado nas relações entre os ofertantes de bens e serviços e a sociedade.

Nenhum comentário