Ministro do STF autoriza uso de força para desbloqueio de rodovias e impõe multa a quem descumprir decisão
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de
Moraes concedeu nesta sexta-feira (25) uma liminar (decisão provisória) em que
autorizou o uso das forças de segurança pública para o desbloqueio de rodovias
ocupadas por caminhoneiros grevistas. A liminar de Moraes atende a um pedido do
governo federal.
A pedido do governo, Moraes impôs multa de R$ 100 mil por
hora às entidades que atuarem nas interdições de vias, além de multa de R$ 10
mil por dia para motorista que esteja obstuindo a pista.
Na ação, assinada pelo presidente Michel Temer e pela
advogada-geral da União, Grace Mendonça, o governo pede que o STF considere a
greve ilegal porque, apesar de ter "compromisso democrático" com a
livre manifestação, não se pode inviabilizar direitos fundamentais, como a
locomoção.
A Advocacia Geral da União apontou ainda risco de "caos
social" em razão da falta de combustível e desabastecimento de alimentos.
"Autorizo que sejam tomadas as medidas necessárias e
suficientes [...] ao resguardo da ordem no entorno e, principalmente, à
segurança dos pedestres, motoristas, passageiros e dos próprios participantes
do movimento que porventura venham a se posicionar em locais inapropriados nas
rodovias do país; bem como, para impedir, inclusive nos acostamentos, a
ocupação, a obstrução ou a imposição de dificuldade à passagem de veículos em
quaisquer trechos das rodovias [...] inclusive com auxílio, se entenderem
imprescindível, das forças de segurança pública, conforme pleiteado", diz
o ministro na decisão.
O caso ainda terá que ser julgado pelo plenário do Supremo
Tribunal Federal, em data ainda não estipulada.
Na decisão de 16 páginas, o ministro Alexandre de Moraes
considerou que houve "abuso no exercício dos direitos de reunião e
greve" por conta "da obstrução do tráfego em rodovias e vias
públicas", impedindo o abastecimento de combustíveis e outros insumos.
"Na presente hipótese, entendo demonstrado o abuso no
exercício dos direitos de reunião e greve, em face da obstrução do tráfego em
rodovias e vias públicas, impedindo, a livre circulação no território nacional e
causando a descontinuidade no abastecimento de combustíveis e no fornecimento
de insumos para a prestação de serviços públicos essenciais. [...] O quadro
fático revela com nitidez um cenário em que o abuso no exercício dos direitos
constitucionais de reunião e greve acarretou um efeito desproporcional e
intolerável sobre todo o restante da sociedade", destacou.
O ministro afirmou que, embora o uso da Polícia Militar em
todo o país seja competência de vários órgãos, é preciso autorizar a atuação
coordenada para que a situação se normalize.
"O tempo já transcorrido de paralisação do tráfego, com
o consequente represamento de bens e serviços e escoamento de estoques em todo
o país, e o tempo necessário para que esse fluxo se normalize, reclama a adoção
de uma medida incisiva e inequívoca quanto à necessidade de que se garanta
plena e imediata liberdade de tráfego em todas as rodovias do Brasil."
Alexandre de Moraes ponderou que o direito de reunião é
"um dos princípios basilares de um estado democrático". E que o
direito de greve é "necessário à efetivação da cidadania", mas que
isso não deve desrespeitar outros direitos fundamentais. Por isso, completou
que "os requisitos necessários para a concessão da medida cautelar estão
presentes".
"A razoabilidade no exercício da greve, das reuniões e
passeatas previstas constitucionalmente, deve, portanto, evitar a ofensa aos
demais direitos fundamentais, o desrespeito à consciência moral da comunidade,
visando, em contrapartida, a esperança fundamentada de que se possa alcançar um
proveito considerável para a convivência social harmoniosa, resultante na
prática democrática do direito de reivindicação", concluiu.
Manifestação
Caminhoneiros entraram nesta sexta-feira (25) no quinto dia
consecutivo de paralisações em todo o país. Eles reivindicam, entre outros
itens, a retirada de impostos que incidem sobre o óleo diesel.
O movimento grevista continuou mesmo após, na noite de quinta
(24), o governo ter anunciado um acordo com a categoria, que previa uma
"trégua" de 15 dias. Diante da continuidade da greve, o presidente
Michel Temer acionou o uso de forças federais para desobstrução das rodovias.
Fonte: G1

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