Revisar a prisão em 2ª instância por Lula seria 'apequenar o Supremo', diz Cármen Lúcia
RIO — A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministra Cármen Lúcia, defendeu que revisar o início da execução penal após
condenação em 2ª instância por causa do processo do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva é "apequenar muito o Supremo".
Durante um jantar em Brasília, promovido pelo site
"Poder360" nesta segunda-feira, a magistrada ressaltou que não
conversou com os outros ministros sobre o assunto e frisou que não há previsão
para o julgamento do caso.
— Não sei por que um caso específico geraria uma pauta
diferente (reavaliar a prisão em segunda instância por conta de Lula). Seria
apequenar muito o Supremo. Não conversei sobre isso com ninguém — declarou a
ministra, segundo o Poder360.
O jantar reuniu empresários e jornalistas no tradicional
restaurante Piantella. Há uma semana, os três desembargadores do Tribunal
Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) mantiveram a condenação do ex-presidente
Lula no caso do triplex do Guarujá e ainda aumentaram a pena para 12 anos e um
mês de prisão.
Como a decisão se deu por unanimidae, restou à defesa do
petista o recuso dos embargos de declaração — um pedido de esclarecimentos
sobre a sentença, sem poder de revertê-la.
O STF já havia decidido que, após a análise dos embargos de
declaração no TRF-4, o condenado inicia o cumprimento da sentença. Em diversas
ocasiões no ano passado, o tema voltou a ser discutido, informalmente, por
ministros da Corte, indicando que poderia haver uma mudança no entendimento do
colegiado.
Depois do julgamento do petista, cogitou-se que o caso do
ex-presidente poderia servir para uma nova avaliação da Corte sobre o momento
de início da execução da pena. No entanto, segundo Cármen Lúcia, o tema não
estará em pauta em fevereiro e tampouco há previsão da chegada de ações do tipo
ao plenário em março.
— Votei igual duas vezes (em favor da prisão em segunda
instância). Em 2009 fui voto vencido. Em 2016, fui voto vencedor — afirmou a
presidente do STF.
LULA NA FICHA LIMPA
A prisão em 2ª instância sofre rejeição de parte da classe
jurídica, que defende a execução da pena apenas ao fim de todas as
possibilidades de recurso. A defesa do ex-presidente deve acionar o Superior
Tribunal de Justiça (STJ) e o próprio STF contra a prisão. Uma liminar de algum
dos magistrados pode conceder o habeas corpus ao petista e evitar a cadeia.
ENTENDA: O que acontece com Lula a partir de agora?
Para Cármen Lúcia, mesmo que Lula esteja em liberdade, ele
não deve escapar da Lei da Ficha Limpa. A ministra destacou ser
"improvável" que o STF reverta o entendimento de que condenados em 2ª
instância ficam impedidos de concorrer a cargos públicos, independentemente de
haver recursos em trâmite em tribunais superiores.
— Eu acho que isso está pacificado. Muito difícil mudar.
Improvável que seja reversível, porque a composição (do Supremo) que decidiu lá
atrás é praticamente a mesma — explicou a ministra, que citou jurisprudência
semelhante no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A magistrada ainda ressaltou que a Lei Eleitoral veta a
substituição de um candidato a menos de 20 dias de eleição. Contrário à
condenação, o PT ressalta que o ex-presidente estará na campanha.
Fonte: O Globo

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