PF deflagra 10ª fase da Operação Zelotes
Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira
(26) a 10ª fase da Operação Zelotes, que apura irregularidades em julgamentos
do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
Entre os alvos da operação estão o ex-secretário de Comércio
Exterior do governo Dilma Rousseff Daniel Godinho e o economista Roberto
Giannetti da Fonseca, presidente da Kaduna Consultoria. O economista disse, por
meio de nota, que são "totalmente infundadas" as suspeitas contra ele
e sua empresa (íntegra da nota ao final da reportagem).
O procurador Frederico Paiva disse em entrevista coletiva, em
Brasília, que esta deve ser a última ação policial dentro da Operação Zelotes.
Com ela, serão encerradas as investigações.
De acordo com o procurador, a empresa investigada nesta fase,
a siderúrgica Paranapanema, é suspeita de ter corrompido agentes públicos e
privados para manipular julgamento no Carf e evitar o pagamento de impostos que
somam, com as multas, R$ 650 milhões. Inicialmente, o MPF afirmou que o valor
ultrapassava R$ 900 milhões.
“Esse julgamento foi manipulado, esse julgamento foi
corrompido por agentes públicos e provados”, disse o procurador.
Segundo Paiva, os investigadores identificaram, por meio da
quebra de sigilo telemático e telefônico, que advogados da empresa se reuniam
com pessoas que participariam do julgamento do Carf para combinar os
resultados. De acordo com o procurador, nessas reuniões foi acordado,
inclusive, que após a decisão do Carf não haveria recursos contra a empresa, o
que, de fato, não ocorreu.
Fraude em julgamentos
A PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão em quatro
estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco) e no
Distrito Federal.
Por ordem judicial da 10ª Vara Federal em Brasília foram
autorizadas quebras de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático de
investigados envolvidos em suspeitas de irregularidades em julgamento de
processo fiscal de interesse de empresa siderúrgica, com sede em Santo André
(SP) no Carf.
De acordo com a Receita Federal, as investigações da Operação
Zelotes têm revelado a existência de um esquema ilícito de influência nos
julgamentos do Carf envolvendo interesses privados em prejuízo da administração
pública tributária.
O caso investigado nesta fase da Zelotes, que envolve fraude
em crédito tributário, aconteceu, segundo a Receita, devido a uma
"estrutura ilegal integrada por agentes públicos e privados". Segundo
a Receita, o grupo atuava em três núcleos:
núcleo econômico: composto pelos representantes da
siderúrgica com processo no Carf que teria financiado os custos do esquema;
núcleo operacional: integrado pelos responsáveis pela
interlocução com os representantes da empresa, o aliciamento dos conselheiros e
a distribuição dos recursos financeiros obtidos com o empreendimento;
núcleo administrativo: centrado em conselheiros do Carf que
ocupavam a função de julgadores.
A primeira fase da Operação Zelotes foi deflagrada em março
de 2015. De acordo com a Receita Federal, as apurações em todas as fases
resultaram em 20 ações penais, 18 processos administrativos disciplinares,
quatro processos de responsabilização de pessoas jurídicas e sete arguições de
nulidade de decisão já admitidas e em tramitação junto ao Conselho.
Resposta da Kaduna Consultoria e Roberto Giannetti da Fonseca
Kaduna Consultoria e Roberto Giannetti da Fonseca declararam
que estão abertos a prestar qualquer informação e a colaborar integralmente com
a Justiça Federal para elucidação de qualquer fato relacionado a investigação
Zelotes. Ele reafirma que aqueles que o conhecem sabem que ele sempre se pautou
pelos princípios éticos e legais no relacionamento com seus clientes e com as
autoridades públicas, sendo totalmente infundadas as suspeitas levantadas
contra si e sua empresa.
Fonte: G1


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