Sindicato sugere que postos limitem abastecimento de combustível
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados
do Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Gouveia, sugeriu
nesta segunda-feira, 28, que os postos de gasolina fracionem a quantidade de
combustível abastecida por consumidor quando houver normalização. Gouveia disse
que, após encerrado o movimento, os postos voltarão a ter combustível em até
três dias e nos mercados o prazo previsto para retorno à normalidade é de até
uma semana.
“O posto não pode proibir (que o consumidor encha o tanque),
não pode fazer 20 ou 30 (litros). Mas às vezes há uma boa vontade. Dois podem
ter 20 ou 30, em vez de um só consumidor ter 60. Então, dois ou três abastecem
em um lugar. É uma medida tipo o supermercado. O supermercado determina a
quantidade (de produtos que os consumidores podem comprar). Talvez o posto
tenha que fazer isso para ter uma capilaridade maior de abastecimento”, disse o
presidente do Sincopetro em entrevista à Rádio Eldorado.
No domingo, 27, Gouveia disse que não sabe de onde vem a
gasolina que abastece os postos de gasolina em São Paulo. Ele voltou a afirmar,
nesta segunda, que sem escolta o combustível ainda não está chegando aos
postos. “Ainda estamos com as bases travadas. Ainda não temos entrega normal.
As entregas são feitas com proteção, escolta. Mas entrega normal, infelizmente,
não”, disse.
O presidente do Sincopetro admitiu que, em meio à paralisação
de caminhoneiros, alguns postos venderam combustível por um preço mais caro.
Ele condenou o ato. “Existem, sim, alguns que tentaram se aproveitar. Mas não
foi o posicionamento da minha categoria. A minha categoria vendeu o produto no
preço normal. Um ou outro teve essa ideia de ganhar um pouco mais. Essa é a
decisão de cada um”, afirmou.
Em relação ao anúncio do presidente Michel Temer, que reduziu
R$ 0,46 no preço do diesel por 60 dias, Gouveia disse que é preciso checar se
medida de fato vai beneficiar os donos dos postos. “Acho uma ótima ideia, mas
ele tem que fazer primeiro a companhia me vender 0,46 centavos mais barato. Não
é justo o governo falar que vai baixar e nós não recebermos o repasse disso”,
disse ele. “Nesses últimos tempos, toda vez que o governo fala um valor, esse
valor nunca chega ao posto.”
País
De acordo com Paulo Miranda Soares, presidente da Federação
Nacional de Combustíveis, representante dos sindicatos de postos de gasolina do
País, a situação de distribuição ainda é bastante crítica. “Mesmo com a escolta
dos agentes de segurança pública, os motoristas que estão transportando
combustível para hospitais, postos e aeroportos estão com medo de represálias”.
Circulam áudios com ameaças de queimar os caminhões após a entrega.
Apesar do cenário pouco animador, a distribuição de
combustível começa a melhorar, especialmente nos Estados do Norte e Nordeste.
Soares explica que a situação menos crítica nessas regiões é a de que
porcentual expressivo dos combustíveis chega por transporte marítimo e as bases
de distribuição são próximas aos portos.
Por Juliana Diógenes

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