Mais de 3 mil galinhas já morreram de fome em granja de Descalvado, SP, por falta de ração
Mais de 3 mil galinhas de uma granja de Descalvado (SP) já
morreram de fome desde que iniciou a greve dos caminhoneiros, que nesta
quarta-feira (29) completa nove dias. As aves também estão botando ovos sem
casca, o que também gera perda de produção.
Há uma semana, a fazenda no interior de São Paulo não recebe
ração para os animais. As galinhas lutam para sobreviver e, com fome, uma ave
até bica a outra.
Desde que começou a faltar a ração, a rotina na granja tem
sido a mesma. Os funcionários fazem a vistoria nas gaiolas e encontram muitos
animais mortos. Se a situação não melhorar, os produtores vão doar as galinhas
vivas.
Além de prejudicar o abastecimento do mercado, a morte de
galinhas traz riscos para o ambiente e para a saúde pública, já que nem sempre
há o que fazer com a carcaça dos animais que apodrecem e contaminam
contaminando o solo.
Animais sacrificados
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), 1
bilhão de aves e 20 milhões de suínos devem morrer nos próximos cinco dias se
não receberem a alimentação adequada, transportada pelos caminhões atualmente
paratos.
Ainda de acordo com a associação, 64 milhões de aves já foram
sacrificadas em razão dos impactos provocados pela greve.
Descarte de leite
Em Descalvado, muitos produtores estão estocando o leite em
caminhões. O problema é que os veículos não conseguem pegar a estrada para
escoar a produção. Caso a situação não se normalize, o produto também terá que
ser descartado.
De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Leite
(Abraleite), cerca de 35 milhões de litros de leite estão sendo descartados
todos os dias, desses, 2 milhões são apenas do estado de São Paulo.
Segundo o produtor rural e vice-presidente da Abraleite,
Roberto Jank, a situação do interior paulista é parecida com a do restante do
país. Com a ração acabando, ele tem menos da metade para alimentar cerca de
seis mil vacas leiteiras em uma fazenda de Descalvado.
O produtor diminuiu a comida, mesmo assim o estoque não dura
muito tempo. Ele ressaltou que alguns ingredientes acabam em três dias, como
minerais e farelo de soja.
“O produtor está perdendo todo o faturamento. Ele não pode
parar de gastar porque as vacas precisam ser ordenhadas, então ele ordenha e
joga fora. Não tem como doar porque não é permitido pela lei doar alimento cru,
é uma perda total”, disse.
Fonte: G1

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