Maia: Usar Forças Armadas contra greve não é bom para o Brasil
A decisão do presidente Michel Temer de utilizar as Forças
Armadas para combater a greve dos caminhoneiros não é boa para os militares nem
para o Brasil, disse o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em
entrevista à Bloomberg.
O deputado criticou a decisão do governo de colocar os
militares em campo para lidar com assuntos de ordem pública, um papel que as
Forças Armadas, segundo ele, não têm função de cumprir e que “os próprios
militares sempre reclamaram muito de exercer”. “Poderia ter esperado um pouco
mais”, disse.
“As Forças Armadas têm obrigação de garantir a soberania do
país”, disse Maia. “Tem que ser sempre o último instrumento porque depois deles
não haverá outro para se garantir a ordem e a lei no Brasil.”
Maia também criticou o fato de o governo não ter designado um
civil para comandar a pasta da Defesa após a nomeação do então titular, Raul
Jungmann, para o ministério da Segurança Pública. “É uma sinalização ruim para
a sociedade e para os investidores”, afirmou, numa referência à decisão do
governo de manter como ministro da Defesa o general Joaquim Silva e Luna, que
havia sido anunciado como interino. “Escolher um militar como solução sempre
vai gerando uma impressão que o governo está querendo escolher um caminho que
eu sei que não está”, afirmou. O deputado disse acreditar que Temer é um
“democrata”.
Embora critique o governo, Maia defende que Temer possa
concluir o mandato iniciado há dois anos. “Acho que, para o Brasil, o melhor é
que se dê as condições para que o presidente termine essa transição e a gente
tenha tranquilidade no processo eleitoral e que a sociedade eleja um presidente
que possa construir essas reformas.”
Greve e política de preços
Para Maia, a recessão que o Brasil atravessou em 2015 e 2016
é uma das causas para o atual movimento dos caminhoneiros, que já atinge o 9º
dia de paralisação. “O Brasil saiu da recessão, mas os brasileiros não saíram”,
disse.
Ciro e Bolsonaro
O presidente da Câmara negou relatos, publicados na imprensa,
de que ele está discutindo uma aliança com o candidato à presidência pelo PDT,
Ciro Gomes, que apoiou Cesar Maia, pai do parlamentar, para a prefeitura do Rio
de Janeiro. “Ciro é meu amigo, gosto dele, mas não sentei para conversar com
ele”, disse. Segundo Maia, a base aliada é contra qualquer aproximação com
Ciro.
Sobre a tendência favorável a Jair Bolsonaro apontada pelas
pesquisas de intenção de voto para a presidência, Maia previu que os
brasileiros, em sua maioria, acabarão rejeitando o radicalismo. “Bolsonaro tem
um nicho e esse nicho fala muito. Quando começa a ter muitas faixas de
intervenção militar, já vai assustando uma parte da sociedade.”

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