Guardia volta atrás e diz que não haverá aumento de imposto para compensar diesel mais baixo
O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, garantiu que a
redução de 0,46 centavos do preço do diesel para atender reivindicação dos
caminhoneiros em greve não vai ser compensada com aumento da tributação.
Segundo ele, o mecanismo encontrado pelo governo vai ser a redução de
incentivos fiscais concedidas nos últimos anos a setores específicos. O
representante do Executivo participou nesta terça-feira (29) de uma audiência
conjunta das comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Infraestrutura (CI).
- Disse e repito que,
ao reduzir tributos sobre o diesel, não haverá alteração na carga de imposto
sobre a população em geral, mas para segmentos empresariais específicos que
contam com benefícios fiscais, os quais cresceram de modo significativo entre
2010 e 2015. Vamos reverter alguns desses benefícios. Portanto, do ponto de
vista tributário, tenho tranquilidade em dizer que estamos até avançando e
melhorando a qualidade da carga tributária. - afirmou.
Condições
Eduardo Guardia explicou que as medidas tomadas pelo governo
para atender aos caminhoneiros levaram em conta quatro condições, que foram
cumpridas de forma transparente e com total respeito à legislação: redução do
preço do diesel na bomba, respeito às restrições orçamentárias, preservação da
autonomia da Petrobras na política de preços e manutenção da competição no
mercado, visto que 25% da oferta do combustível são supridos por importadores.
Para chegar aos 46 centavos de redução, o ministro explicou
que 16 centavos virão do PIS/Cofins e Cide e outros 30 centavos serão obtidos
por meio de subvenção econômica à Petrobras e demais importadores. Segundo ele,
esses 16 centavos equivalem a R$ 4 bilhões, que precisam ser compensados, de
acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
- Por isso, não poderíamos tirar mais do PIS/Cofins e da
Cide, pois teríamos que conseguir uma compensação no mesmo exercício financeiro, que só poderia
ser feita mediante aumento de alíquota,
aumento de imposto ou redução de incentivos fiscais - explicou.
Subvenção
Os outros 30 centavos da redução representam R$ 9,5 bilhões,
que serão obtidos com subvenção econômica, a serem financiados pelo governo com
uma folga orçamentária de R$ 5,7 bilhões e cancelamento de dotações
orçamentárias já existentes (R$3,8 bilhões).
- Do ponto de vista fiscal, é uma medida transparente, com
custo e fonte claros. Estamos respeitando a LRF. Os cortes de despesas serão
detalhados. Esse esforço brutal vai exigir sacrifícios: cortar R$3,8 bilhões
numa situação difícil e abrir mão da reserva de R$ 5,7 bi, mas é algo
consistente com nossa situação fiscal - afirmou.
Petrobras
O ministro informou ainda que a Petrobras está estudando como
manter uma política de reajuste mensal do combustível, como querem os
caminhoneiros. Ele lembrou que, se a
Petrobras tem preço fixo por 30 dias, quando o preço do mercado internacional
cair, haverá condições desiguais de concorrência, que poderá ser resolvida, por
exemplo, com a variação do imposto de importação
Fonte: Jornal do Brasil

Nenhum comentário