Cade propõe medidas para reduzir preços dos combustíveis
Com a crise de abastecimento gerada pela greve dos
caminhoneiros, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) divulgou um
estudo com nove propostas para aumentar a concorrência no setor de combustíveis
e por consequência, reduzir os preços ao consumidor final. As sugestões
envolvem questões regulatórias (cinco medidas), estrutura tributária (duas
medidas) e outras alterações institucionais de caráter geral (duas medidas). O
estudo “Repensando o setor de combustíveis: medidas pró-concorrência” foi
divulgado nesta terça-feira (29).
“As propostas já estavam sendo maturadas e discutidas
internamente há algum tempo, como sugestões do Departamento de Estudos
Econômicos e da Superintendência–Geral. Além disto, acredita-se que o impacto
das medidas propostas seja positivo para sociedade. O que se espera é, de
maneira realista, incentivar o debate social e democrático a respeito de alguns
temas específicos, que podem favorecer a concorrência no setor”, ponderam os
pesquisadores responsáveis pelo estudo.
Segundo o Cade, apesar de o setor de combustíveis ser o
principal alvo de denúncias de prática de cartel (acordo entre empresas
concorrentes para aumentar os preços e para a divisão de mercado) no Brasil, nem
todos os problemas desse mercado são provocados por condutas anticompetitivas.
Para o órgão, existem questões ligadas ao desenho institucional que poderiam
ser melhoradas para aumentar o nível de rivalidade.
Confira as medidas sugeridas pelo Cade:
Permitir que produtores de álcool vendam diretamente aos
postos
Atualmente, os produtores de etanol não podem vender o
produto diretamente ao posto por conta de restrições previstas em resoluções da
Agência Nacional do Petróleo (ANP). Para o Cade, este tipo de norma regulatória
– a princípio – produz ineficiências econômicas, à medida em que impede o livre
comércio e dificulta a possibilidade de concorrência que poderia existir entre
produtor de etanol e distribuidor de combustível.
Repensar a proibição de verticalização do setor de varejo de
combustíveis
No Brasil, é vedado por lei a um posto de gasolina pertencer
a uma distribuidora de gasolina ou a uma refinaria. Segundo o Cade, há diversos
estudos empíricos que demonstram que os custos e os preços da venda de gasolina
aumentam quando se proíbe essa verticalização.
Extinguir a vedação à importação de combustíveis pelas
distribuidoras
Para o Cade, a permissão de importação pelos distribuidores
de combustível reduziria os custos de transação e as margens de remuneração do
intermediário (importador), além de estimular o aumento no número de agentes na
etapa de fornecimento de combustíveis, com possível diminuição dos preços.
Fornecer informações aos consumidores do nome do revendedor
de combustível, de quantos postos o revendedor possui e a quais outras marcas
está associado
Segundo o Cade, a justificativa principal para essa sugestão
é que os consumidores não sabem quais postos concorrem entre si. Atualmente, um
revendedor pode possuir diversas marcas simultaneamente (BR, Ipiranga, Shell
etc.) e estabelecer preços iguais para seus postos, mesmo sendo de bandeiras
diferentes. Tal situação dá a impressão errônea para os consumidores que
diferentes marcas combinaram preços.
Aprimorar a disponibilidade de informação sobre a
comercialização de combustíveis
A ampliação, o cruzamento e o aprimoramento dos dados à
disposição da ANP e do Cade relacionados à comercialização de combustíveis
(preços, volumes etc.) permitirá a detecção mais ágil e precisa de indícios
econômicos de condutas anticompetitivas. Eventualmente, é possível pensar em
uma revisão do artigo 198 do Código Tributário Nacional para permitir que o
Cade tenha acesso a dados fiscais do mercado de maneira mais ampla.
Repensar a substituição tributária do ICMS
Para cobrar o imposto na origem, a autoridade tributária
precisa elaborar uma tabela estimada de preços de revenda. Essa prática pode
levar à uniformização dos preços nos postos. Segundo o Cade, a tabela também
prejudica o empresário que opta por um preço mais baixo que o definido no
momento da tributação.
Repensar a forma de tributação do combustível
Atualmente o imposto é cobrado por meio de um valor fixo por
litro de combustível. Segundo o Cade, há, portanto, uma distorção, já que
alguém que vende o litro da gasolina mais barato paga proporcionalmente mais
imposto do que outro que vende combustível mais caro. Desse modo, há incentivos
para a venda com preços mais altos. O estudo sugere a cobrança de valores
percentuais sobre a receita obtida com a venda.
Permitir postos autosserviços
Para o Cade, o autosserviço tende a reduzir custos com
encargos trabalhistas, com consequente redução do preço final ao consumidor.
Além disso, dota o consumidor de maior poder de escolha entre abastecer
pessoalmente seu próprio carro ou escolher um posto com serviços de frentistas.
Repensar as normas sobre o uso concorrencial do espaço urbano
O Cade propõe ainda uma regulamentação nacional que fomente a
rivalidade entre postos de combustíveis e repense restrições do uso do espaço
urbano (a proibição de instalação de postos de gasolina em hipermercados, por
exemplo), que acabam por diminuir a rivalidade entre os agentes de mercado e
elevar o preço dos combustíveis.
Fonte: Agência Brasil

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