TRF4 publica acórdão de julgamento de Lula em segunda instância
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), sediado em
Porto Alegre, publicou hoje (6) o acórdão da decisão que confirmou a condenação
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ação penal envolvendo o tríplex
no Guarujá (SP) e aumentou a pena para 12 anos e um mês de prisão.
Com a publicação do documento, que representa a sentença do
colegiado, a defesa de Lula terá dois dias, conforme o Código de Processo Penal
(CPP), para entrar com o último recurso
na segunda instância, os chamados embargos de declaração, após ser intimada. A
intimação eletrônica pode levar até dez dias, fato que pode elevar o prazo para
interposição do recurso para até 12 dias.
Caso o recurso seja rejeitado, a pena do ex-presidente será
executada, conforme ficou consignado no julgamento. No entanto, os advogados do
ex-presidente já recorreram Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender preventivamente a medida.
Execução da pena
A possibilidade de prisão para execução provisória da
condenação do ex-presidente ocorre em função do entendimento do STF, que valida
prisão de condenados pela segunda instância da Justiça, mesmo cabendo recurso
aos tribunais superiores.
Em 2016, o Supremo julgou a questão duas vezes e manteve o
entendimento sobre a possibilidade da decretação de prisão de condenados após
julgamento em segunda instância. No entanto, há uma divergência dentro do
tribunal.
Após a decisão, alguns ministros da Segunda Turma do STF
passaram a entender que a prisão a ocorreria apenas no fim dos recursos no
Superior Tribunal de Justiça (STJ). No entanto, na semana passada, a presidente
da Corte, ministra Cármen Lúcia, disse que a questão não será colocada em
votação no plenário novamente.
Nova composição
Há dois anos, por maioria, o plenário da Corte rejeitou as
ações protocoladas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Partido
Ecológico Nacional (PEN) para que as prisões ocorressem apenas após o fim de
todos os recursos, com o trânsito em julgado.
No entanto, a composição da Corte foi alterada com a morte do
ministro Teori Zavascki e houve mudança na posição de Gilmar Mendes. Não há
data para a retomada da discussão pela Corte.
O cenário atual na Corte é de impasse sobre a questão. Os
ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Celso
de Mello são contra a execução imediata ou entendem que a prisão poderia
ocorrer após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e a presidente,
Cármen Lúcia, são a favor do cumprimento após a segunda instância.
O resultado vai depender do entendimento do ministro
Alexandre de Moraes, que não participou do julgamento porque tomou posse no
Supremo em março do ano passado, na cadeira deixada vaga por Zavascki.
Por: André Richter - Repórter da Agência Brasil
Edição: Davi Oliveira

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