Paraíba tem 258 magistrados recebendo auxílio-moradia e OAB critica benefício
O presidente
da seccional paraibana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Paulo Maia,
colocou mais lenha na polêmica do auxílio-moradia. Em artigo divulgado nesta
segunda-feira (5), ele conclama o fim do benefício. A crítica surge no momento
em que se discute o fim da “ajuda de custo”, usada, segundo beneficiários, para
compensar a falta de reajustes salariais na magistratura. Ao todo existem em
terras paraibanas 258 magistrados recebem o auxílio moradia atualmente. O tema
é alvo de uma demanda judicial em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF).
O auxílio pago mensalmente é de R$ 4.378.
O pagamento
do benefício, citada pelo presidente da OAB como mordomia, foi autorizado
liminarmente pelo ministro Luiz Fux. O tema deve ser levado a plenário até o
mês de março, quando os outros 10 ministros da corte devem se posicionar. Em
resposta a questionamento do blog, o diretor de Recursos Humanos do TJ, Einstein
Roosevelt Leite, informou que o órgão tem cumprido as decisões de cortes
superiores.
“Só a título
de esclarecimento, a Resolução nº 199/2014 do CNJ (Conselho Nacional de
Justiça), que trata do assunto, levou em consideração a Lei Orgânica da
Magistratura que prevê o direito à ajuda de custo para moradia, nas localidades
em que não houver residência oficial à disposição do magistrado. O mérito da
matéria ainda está em análise no STF e o que ficar decidido pela Corte Superior
o Tribunal de Justiça da Paraíba irá dar total cumprimento”, diz a nota
encaminhada pelo Tribunal de Justiça.
Residências
oficiais
Segundo
informações do diretor administrativo do TJPB, Omar Gama, são disponibilizadas
34 casas nas comarcas do interior, sendo que apenas seis estão sendo ocupadas
por magistrados. São elas as comarcas de Belém, Jacaraú, Piancó (3 residências,
sendo 2 para os juízes de Piancó e outra para o juiz de Santana dos Garrotes) e
Umbuzeiro. As outras 28 casas estão com problemas estruturais e necessitam de reformas,
o que impossibilita a moradia dos juízes. As reformas não estão sendo
realizadas devido a difícil situação financeira do Tribunal que está recebendo
o duodécimo a menor.
Confira o
artigo divulgado por Paulo Maia
Abaixo o
Auxílio Moradia!
Por Paulo Maia
O título
acima pode indicar um manifesto reacionário contra o pagamento do
auxílio-moradia e outros penduricalhos ainda existentes no serviço público, os
quais remontam a uma legislação anacrônica e a épocas já bem distantes da atual
conjuntura constitucional, social e econômica do nosso país. Traduzem um tempo
onde os servidores públicos eram tidos como integrantes de uma casta que devia
ser contemplada com privilégios e mordomias.
No caso
específico do auxílio-moradia destinado ao servidor que tem imóvel próprio ou a
um casal de servidores que habita a mesma residência, esta benesse, ainda que
assim fosse estendida por lei, se revela eticamente abusiva e violadora da
moralidade. Os privilégios e mordomias do Judiciário, Ministério Público e dos
demais poderes não encontram sustento na nossa atual quadra histórica.
Todo cidadão
brasileiro paga suas despesas do seu salário ou renda. Não tem qualquer
“auxílio” como complemento e, importante registrar, nem de longe recebe os
valores pagos aos magistrados e Ministério Público.
Aqui na
nossa Paraíba, cerca de 90% dos advogados e advogadas percebem de honorários
menos do que o valor do auxílio-moradia. A renda per capita nacional é de R$
1.240,00. Defender o recebimento do auxílio moradia, alegando ser legal ou
compensação por ausência de reajuste salarial, como fizeram os juízes Sérgio
Moro e Marcelo Bretas, é algo injustificável, sobretudo nas situações imorais
acima indicadas.
Este
comportamento aliás se mostra insaciável, pois se estende à reforma da
previdência, quando se pretende manter quadro similar de regalias, distinguindo
aqueles servidores dos demais mortais. Essa disfunção institucional não faz bem
à democracia e para a vida em sociedade.
O clamor das
ruas hoje, com fundamento, diga-se, não é apenas de “abaixo a corrupção”. Ele
também se faz presente no “abaixo ao auxílio-moradia”. O título acima é mais do
que um manifesto. Visa ao estabelecimento de um estado sem privilégios, fundado
sob o princípio da moralidade.
Fonte: Blog
Suetoni Souto Maior

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