Justiça suspende MP que autorizava Brasil a doar R$ 792 mil para Palestina
Uma juíza
federal do DF atendeu uma ação popular e suspendeu liminarmente uma Medida
Provisória que autorizava o Brasil a doar R$ 792 mil para ajudar na
reconstrução da Basílica da Natividade, igreja na Palestina onde, segundo a fé
cristã, teria nascido Jesus. A Medida Provisória havia sido assinada em 26 de
janeiro, pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que, à época,
ocupava a Presidência da República interinamente, já que Michel Temer estava no
Fórum Econômico de Davos, na Suíça.
A ação para
suspender a liminar foi movida pelo advogado Marcos Aldenir Ferreira Rivas que,
em janeiro do ano passado, já havia apresentado uma outra ação popular para
tentar barrar a candidatura de Rodrigo Maia à reeleição para a Presidência da
Câmara. Ele justifica que a doação "é incompatível com a condição de
miserabilidade pela qual perpassa o Brasil", além de não ser relevante e
urgente. Ele também afirma que a Medida Provisória tem motivações eleitoreiras
e chega a pedir que Maia fique proibido de assumir a Presidência da República,
"sob pena de prisão".
Na decisão,
a juíza Luciana Raquel Tolentino de Moura, substituta da 7ª Vara, rejeita o
pedido do autor de proibir que Maia comande o Planalto interinamente e afirma
que a suposta finalidade eleitoreira não é "motivo o bastante para
determinar a suspensão da Medida Provisória". Em relação à questão da
situação econômica do país, a magistrada avalia que cabe ao presidente da
República decidir quais políticas públicas vai adotar, "sobretudo quando
se trata de relações internacionais".
Moura também
descarta que a medida seja irrelevante, dada a "importância histórica,
política, cultural, religiosa e turística do bem a ser restaurado". Porém,
a magistrada reconhece que a medida não é urgente e, por isso, deferiu a
liminar para suspender a doação. "A Medida Provisória n.º 819/2018 foi
publicada em 25/01/2018, mais de cento e cinquenta dias antes do evento
supostamente urgente", argumenta.
Repasse
A doação
seria feita por intermédio do Ministério das Relações Exteriores brasileiro. A
restauração da basílica é comandada pelo governo da Palestina e pelas três
igrejas que administram o local: católica, ortodoxa grega e armênia.
O projeto
também tem apoio de países como Grécia, Rússia, Alemanha, Espanha e Vaticano e
da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco) que, em 2012, declarou o templo como Patrimônio da Humanidade.
Localizada
na cidade de Belém, a Basílica da Natividade é um dos locais mais importantes e
sagrados para os cristãos. Anualmente, o local atrai milhões de turistas de
todo o mundo.
Antes de a
doação ser efetivada, porém, a Medida Provisória que autoriza o repasse
precisaria ser aprovada por uma comissão mista no Congresso Nacional, além de
passar por análises nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Fonte:
Correio Brasiliense

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